sábado, 16 de maio de 2009

O Albergue

O albergue em Copenhagem nem é lá essas coisas, já conheci melhores. OK, eles deram uma arrumada no lobby, tá moderninho, mas o resto é mais ou menos igual ao que há por aí. Além disso, passei uma raiva danada na minha primeira noite.

Quando cheguei no quarto que eles me indicaram, todas as camas estavam ocupadas pelo menos com algum objeto pessoal. Claro, podia ser que alguém tivesse jogado suas coisas em uma das camas que estavam vazias e "esqueceu" de tirá-las, mas não tinha como eu saber em qual havia alguém dormindo e qual estava sendo usada apenas de "prateleira". Havia apenas uma senhora mais velha no quarto, e ela tampouco soube dizer quais camas estavam ocupadas.

Voltei na recepção e disse que todas as camas pareciam estar usadas. O rapaz falou que de acordo com o sistema isso era impossível, e disse que eu tinha que procurar pelas camas sem lençol. Respondi que havia apenas duas sem roupa de cama (quase soltei um shit ao invés de sheet para mostrar bem meu estado de ânimo) -- e em uma delas a tia me disse ter certeza de que havia alguém. Pois bem, o recepcionista mandou eu pegar as coisas que estavam na outra cama sem lençol e jogar no chão. Ri na cara dele e quase mandei ELE fazer isso, já que minha mãe tinha me dado educação, mas deixei para lá. Voltei ao quarto e cuidadosamente depositei as coisas no chão. Coloquei a roupa de cama e saí para comer e conhecer um pouco da noite.

Pois na volta, de madrugada, o que aconteceu? Na cama que eu havia arrumado havia uma creuza dormindo. Havia apenas uma outra cama vazia, com lençol. Mais uma vez lá vou eu para a recepção. O mesmo rapaz me atende, vestido elegantemente num terno preto e gravata fininha preta. Dessa vez ele me mandou eu acordar a menina e expulsá-la da cama. Resolvi apelar. "No, I'm not doing this, I'm not supposed to do this, I'm a guest, not staff". Eu estava levemente alto, mas não estava louco. Era de madrugada, eu tinha bebido, e tudo o que eu queria era encostar em um lugar. Deu vontade de fingir que sou milionário, pegar minhas coisas e ir bater num hotel podre de chique -- e olha que aqui em Copenhagem eles são bem caros.

Bem, o rapaz disse que eu poderia então dormir na cama que estava vazia. Eu disse que tudo bem, mas que não iria dormir nos lençóis que já estavam lá. Ele me deu roupa de cama nova e lá fui eu, no meio da madrugada, arrumar minha cama. Claro que fiz isso com bastante má vontade, de modo que algumas pessoas no quarto acordaram e me olharam feio: como se fosse minha culpa. Claro que a creuza que estava na minha primeira cama não foi uma das pessoas que acordou. Enfim, não vou ver esse povo nunca mais na minha vida, fingi que não era comigo.

Ccomo se não bastasse, de manhã a bonitona da bala chita toma um banho bem demorado, tipo meia hora. Os banheiros ficam dentro dos quartos, e não há banheiros extras do lado de fora. E eu lá me segurando para não me mijar.

Sinceramente, jamais imaginei passar por essas coisas em um albergue na Escandinávia. Se fosse, sei lá, na Itália ou na Espanha, acho que nem teria me surpreendido.

4 comentários:

  1. They're called YOUTH hostels for a reason. Tem coisas que a gente não tolera mais depois dos 30. Eu sei que hotel é mais caro e não tem beldades escandinavas desfilando de underwear, mas considere o gasto um investimento na sua saúde mental :)

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  2. Hahahahahahaha Albergue do terror! Penso que o custo financeiro de pagar um hotel compensa, e muito, o custo psicológico de passar por perrengues como esse.

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  3. Posso lhe indicar uns hotéis baratos, com mais externalidades positivas do que negativas... ;-)

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