sexta-feira, 29 de maio de 2009

København

Estou devendo aqui um relato um pouco mais detalhado da minha viagem a Copenhagem, junto com algumas fotos. Copenhagem fica na verdade numa ilha. A Dinamarca tem uma parte continental, conhecida como Jutlândia, e várias ilhas. Graças à riqueza geral do país, tudo é bem interligado por pontes e trens. Aliás, em 2000 foi completada a Øresund Link, uma ponte de quase 8 km que cruza o estreito de mesmo nome, no Mar Báltico, e liga Copenhagem à cidade sueca de Malmö.

O primeiro impacto que tive de Copenhagem foi logo no aeroporto, moderno, com uma arquitetura incrível. Cabe aqui um parênteses. Berlim já teve três aeroportos -- coisas de cidade dividida --, hoje tem dois em pleno funcionamento: o Tegel e o Schöneberg. Eu só conheço o primeiro e ele é bem bagunçado: não uma separação clara entre embarque e desembarque, há lojas no meio dos balcões das companhias, terminais que não se comunicam internamente. Quase uma rodoviária. Tudo bem, eu aprendi que o Tegel foi construído às pressas, de improviso, no período da Luftbrücke, quando a URSS bloqueou os acessos por terra e água entre Berlim Ocidental e o resto do território controlado pelos aliados do ocidente. Pessoas e coisas só chegavam à cidade de avião. Mas acho que hoje em dia a capital da Alemanha merecia um aeroporto mais organizado.

Pois bem, o aeroporto de Copenhagem é o oposto, refletindo o que o design escandinavo tem de melhor. Sem contar que tem um trem que custa € 5,00 e liga o aeroporto à Estação Central da cidade em 13 minutos. Muito civilizado.

Como já relatei no blog, num texto que escrevi no albergue, quando ainda estava lá, no primeiro dia choveu praticamente o tempo inteiro. Enfiei-me na NY Carlsberg Glyptotek, um dos museus mais bonitos que já visitei -- não tanto pelo acervo (se bem que eles têm uns quadros do impressionismo francês bem bacanas), mas pelo ambiente interno, onde me senti dentro de um verdadeiro palácio. No resto do dia, deu para andar muito pouco pela cidade.

À noite fui a um bar onde estavam passando a final do Eurovision. Quem já esteve na Europa nessa época sabe como esse festival de música movimenta as pessoas por aqui. Já tinha observado um pouco em 2007, quando estava em Munique, mas como a gente não ouve falar a respeito no Brasil, nem entendi direito do que se tratava. Os países apresentam os números musicais em dois dias, e, no sábado, acontece a final: cada país tem o direito de distribur um determinado número de pontos, mas não pode premiar o próprio candidato. O país vencedor ganha o direito de sediar o festival no ano seguinte.

Neste ano, parece que o candidato da Dinamarca era meio fraquinho, porque a torcida lá estava dividida entre outros países nórdicos: uma parte torcendo por uma soprano da Suécia que se apresentou com um dance lírico, se podemos chamar assim; outra por uma cantora linda da Islândia; e, por fim, uma grande porção torcendo pela Noruega, que inscreveu um garoto que parece ter 14 anos, mas cantou uma música falando sobre o amor (achei terrível, aliás). Ganhou o rapaz da Noruega, em segundo a islandesa -- para vocês verem a força dos países nórdicos no festival. Tudo é muito cafona, vocês precisam ver, mas é incrível como o povo se organiza para torcer. Anyway, cantores e grupos consagrados, como o ABBA, já passaram por ele.

Se no primeiro dia choveu muito, no segundo fez um dia lindo -- o que não quer dizer que tenha feito calor. Como disse, no primeiro dia, com chuva, o termômetro marcava 12 graus às 9h30 da manhã. No segundo, até por volta das 14h, até que o tempo estava mais quentinho, mas depois o frio veio com força. Me virei com um paletó de veludo e com um cachecol de lã, porque o resto ficou na mala, que eu deixei guardada na estação no começo do dia, quando saí do albergue (o qual, por sinal, sequer tinha local para deixar as bagagens pós check out). Até tentei alugar uma bicicleta para facilitar a locomoção e me sentir em casa -- os dinarmaqueses são conhecidos por usar a bicicleta para quase tudo -- mas, como era domingo, tudo estava fechado.

A cidade é linda e limpa -- um verdadeiro choque para quem vem de Berlim, que, vamos combinar, é bem bagunçada (o que tem o seu charme também). Por ficar numa ilha, há vários canais e ilhotas dentro da cidade, o que dá um certo ar de Amsterdam ao local. Dei uma volta na Slotsholmen, uma ilha bem no meio da cidade com vários palácios -- o maior é atualmente usado pelo Parlamento. Lá também fica a Biblioteca Real, a qual ganhou recentemente um anexo todo moderno em granito preto, que logo ganhou o apelido de "Black Diamond". De lá cruzei a ponte para uma outra ilha onde fica o bairro de Christianshavn. O lugar é bem bonito, cheio de cafés e canais. Lá fica a Vor Frelsers Kirke, uma igreja com uma torre em espiral de onde se tem lindas vistas da cidade -- apesar de a subida por escadinhas estreitas ser desaconselhada para quem tem tonturas ou problemas nas juntas.

Em Christianshavn também fica a famosa comunidade alternativa (antigamente hippie) de Christiania. Foi fundada na década de 70 e se pretende uma comunidade autônoma -- há uma placa na saída indicando "você está entrando na União Européia"! Ficou famosa também pelas drogas meio liberadas, mas parece que a polícia andou dando umas batidas por lá e o negócio ficou mais complicado. No geral achei meio caído, talvez a única parte de Copenhagem meio suja. Vi, sim, gente vendendo droga e fumando maconha, mas também vi famílias com crianças aproveitando o dia de sol para fazer um piquenique -- enfim, a famosa tolerância escandinava. Em Christianshavn também passei pelo lindo e moderno prédio novo da Ópera de Copenhagem, bem de frente para o canal que liga a cidade ao mar.

Voltei para o centro, almocei e dei mais uma volta para ver os inúmeros prédios antigos da área, parecendo vários castelos. Vi o Palácio Amalienborg, onde mora a família real da Dinamarca. Estilo Palácio de Buckingham, mas você vê tudo bem mais de perto -- o risco de algum ataque terrorista ali talvez seja quase nulo. Andei para burro e quase congelei de frio para ver a famosa Pequena Sereia, um dos símbolos da cidade. O Lonely Planet já tinha xoxado dizendo que não era nada demais e que a fama era injusta. É a mais pura verdade. A estátua é pequena e fica em cima de uma pedra nas margens do canal principal. E um monte de turistas bobos como eu em volta tirando foto. Mas, como ouvi certa vez, quando você faz turismo tem que fazer coisas típicas de turista.

A longa caminhada de volta de volta sob o vento frio que vinha do mar só me deixou tempo e ânimo para tomar um café. Depois fui para a Estação Central pegar o trem até o aeroporto. Fiquei triste de não ter conseguido visitar o Tivoli Gardens, um dos parques de diversões mais antigos do mundo, com mais de 160 anos. É meio caro para entrar, mas meu lado criança estava doido por uma volta na montanha russa. Tirei apenas algumas fotos do lado de fora.

Há ainda duas coisas sobre Copenhagem que eu gostaria de comentar. A primeira é sobre os preços. A Dinamarca não usa o euro, mas a coroa dinamarquesa -- o que, obviamente, dá trabalho para os turistas. A moeda local vale cerca de sete vezes menos que o euro; por isso, preços com mais de dois dígitos para coisas banais, como um almoço, são comuns, ao contrário da zona do euro. O problema é que as coisas realmente são caras. Mesmo convertendo os preços para o euro (real nem passou pela minha cabeça), achava os valores bem salgados -- o que dizer de um almoço normal que custou € 40,00, coisa que praticamente não vi aqui em Berlim? Tudo bem, isso era esperado, pois havia lido que Copenhagem é uma das cidades mais caras do mundo. E por dois dias apenas não tive nenhum rombo de orçamento.

O segundo ponto são as pessoas. Achei Copenhagem uma cidade bastante plural, apesar de ter um ar de cidadezinha do interior. A sensação da presença de imigrantes na cidade, por exemplo, é bem maior do que em Berlim. Aqui vejo bem menos pessoas negras do que vi lá. De qualquer modo, as pessoas são extremamente simpáticas com forasteiros -- muita gente puxou papo comigo. Eles tinham muita curiosidade em saber porque eu quis conhecer a cidade deles -- eu sempre respondia: why not? Têm um pouco de birra com os alemães (coisas de guerras passadas talvez) mas no geral gostam de Berlim. E o inglês é amplamente falado, até em birosquinhas no meio da rua, o que facilita muito as coisas para os turistas. Apesar de achar a língua deles bizarrinha, com aquelas vogais cheias de sinais gráficos diferentes, ficava até feliz em ver coisas em dinamarquês. Sinal de que o inglês ainda não dominou por completo por lá.

A seguir, algumas fotos de locais que mencionei aqui.


A Estação Central (København Hovedbanegården)


O prédio da prefeitura e sua praça (Rådhuspladesen) ficam bem no centro de Copenhagem


A entrada do Tivoli Gardens, bem em frente à praça da Prefeitura


A entrada da NY Carlsberg Glyptotek

Dentro da Glyptotek, uma pianista reforçava o "ar clássico" do local

Jardim dentro da Glyptotek

Achei linda essa escultura da menina com o passarinho

Linda bicicleta em uma vitrine

Lado Amsterdam de Copenhagem


Tivoli Gardens à noite

O anexo da Biblioteca Real, conhecido como "Black Diamond"

Black Diamond

Canal em Christianshavn


Torre em espiral da 
Vor Frelsers Kirke


Vista da torre. Lá no fundo, aparece a ponte Øresund Link


Entrada de Christiania


"Você está entrando agora na União Européia", avisam quando você sai de Christiania


Ópera de Copenhagem

Dá para ver minha cara de frio? Ao fundo, a Pequena Sereia


As lindas cadeiras de Arne Jacobsen povoam coloridas o aeroporto de Copenhagem

2 comentários:

  1. Relatório completo, hein Ti? Gostei bastante e fiquei muito curiosa em relação ao parque de diversão de 160 anos. Aproveite suas andanças por aí.

    bjs,

    Reitchel

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  2. Fiquei curioso pra ver mais fotos do aeroporto! :)

    Abs,
    Dan

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