segunda-feira, 13 de julho de 2009

İstambul tem pingo no "i"


Pois é, crian
ças amadas, estou desde quinta-feira em İstambul. O título do texto vem do fato de que, em turco, há "i" com pingo e "ı" sem pingo -- obviamente com sons distintos. E o de İstambul tem pingo, o que significa que, mesmo quando a letra é maiúscula, deve vir com o sinal. Outra curiosidade ortográfica do turco é que tem "s" com cedilha: ş.

Já bati muita perna na cidade e gostei muito do que vi. Claro que a língua é uma grande barreira. Pouca gente fala inglês -- talvez na mesma proporção que no Brasil, não sei. Senti-me às vezes como aqueles gringos meio bobos que a gente vê pelo Brasil, falando com sinais, ou forçando um inglês quando a outra pessoa claramente não está entendendo patavinas. Mais uma vez, só estando no lugar do "outro" para entendê-lo. Mas a gente dá um jeito, aponta um endereço no papel, enfim, uma hora resolve.

Há o lado "histórico", onde estou, conhecido como Sultahnamet (na verdade, esse é o nome de apenas um dos bairros, mas como é o mais central deles, acaba sendo usado genericamente). Aqui ficam a Mesquita Azul e a famosa Aya Sofya (ou Santa Sofia), ambas gigantescas e impressionantes. À noite, iluminadas, são de arrepiar. O Palácio Topkapı, onde os sultões viveram até o século XIX, me lembrou um pouco a Alhambra em Granada, ou o Alcazar de Sevilha. Fui ao Grande Bazar esperando um misto de Feira do Guará com Feira dos Importados, mas não é que é bastante limpo e organizado, considerando-se que estamos em Istambul? (talvez por ser o mais turístico dos bazares daqui). Tem, claro, um pouco de camelô por lá, com várias banquinhas vendendo jeans e tênis. Mas há muitas de tapetes, de lanternas coloridas, e de coisas de prata, ouro, e outros balangandãs que a turca adora (e minha amiga Carol também, beijo linda!).

Um braço do Bósforo (conhecido como Golden Horn ou Haliç) separa o lado europeu de Istambul em dois. Do outro lado, há ainda algumas coisas antigas, mas começa a cidade mais moderna. A İstiklal Caddesi é a rua mais movimentada, cheia de lojas. Andar sábado à noite por lá foi quase passar por um Carnaval de rua no Brasil. Ao redor dela, várias ruazinhas com dezenas de bares e restaurantes, todos apinhados no final de semana. Há muita coisa trash, mas também muitos restaurantes legais. Algumas baladinhas também ficam por ali.

Aliás, turcas ricas mesmo eu vi hoje em Levent, o distrito financeiro da cidade. É longe, mas o metrô chega até lá, então fui ver como era. Os prédios altos dão um certo ar Brigadeiro Faria Lima ao lugar. Mas entrei em um shopping com várias dessas marcas de praxe de butiques ocidentais, e aí sim vi o lado "bem nascido" de Istambul, mais ou menos padronizado como em qualquer cidade grande hoje em dia.

O lado asiático não tem muitas atrações -- pelo menos os guias não mencionam nada, e mesmo os mapas distribuídos nos quiosques de informação turística não incluem o outro lado. Há duas pontes atualmente cruzando o Estreito de Bósforo, e o projeto de construir um túnel. Mas a maioria das pessoas atravessa mesmo de balsa, como eu fiz, só para falar que tinha pisado na Ásia. Cheguei lá, dei uma voltinha, tomei um sorvete e voltei.

O trânsito na cidade é caótico, como jamais havia visto. O sinal está vermelho, mas os carros continuam passando. Os pedestres, talvez por vingança, não esperam o homenzinho verde aparecer e saem ziguezagueando pelo meio dos carros, lembrando aquele jogo Freeway do Atari. Estava quase certo que ia presenciar um atropelamento por aqui. Vale dar ré no meio da rua, voltar pela contramão, tudo pode. Nem preciso dizer que o barulho das buzinas é som ambiente. Há também uma certa deficiência no sistema de transporte. Embora haja conexão entre os sistemas (bonde, funicular, metrô etc), cada vez é necessário comprar um novo bilhete -- que nem é bilhete, é uma ficha metálica que você introduz nas catracas, lembrando aquele sistema de fichas para os orelhões de antigamente. Mas acho que tudo isso faz parte do "charme turco". Senão vira Europa pura e simplesmente.

Nesse exato momento, por exemplo, enquanto escrevo, ouço os cânticos muçulmanos vindos da Mesquita Azul (a que fica mais próxima do hotel). Mas eles ecoam por toda a cidade, várias vezes ao dia, já que em todo canto que você vai nessa cidade tem uma mesquita. Acho isso muito louco. Para a gente que está de férias parece lindo, interessante, exótico (até gravei com minha câmera). Mas imagine ouvir isso todos os dias? (inclusive tem um cântico no final da madrugada, nem sei direito, lá pelas 5h00). Desde que a Turquia virou uma República, lá na década de 20, Estado e religião separaram-se oficialmente, mas parece que isso aconteceu mais em tese do que na prática. Se vários cidadãos nessa cidade não seguem a religião muçulmana (há muitos cristãos ortodoxos), por que têm que ouvir esses cânticos que são propagados pela cidade em alto-falantes? Eles não deveriam se limitar ao recinto das mesquitas? Não consigo deixar de comparar com aquelas igrejas no Brasil que ensurdecem a todos com seu volume exagerado.

Mas discutir religião é campo minado, então deixa para lá. O que vale é a imagem que ficou, de uma cidade ao mesmo tempo oriental e ocidental, antiga e moderna. De fato, o meio caminho entre a Ásia e a Europa.

Curiosidades:
- Todo vaso sanitário por aqui tem um caninho que fica na parte de trás, por dentro, e funciona como as nossas duchas higiênicas. Mas deve ser uma coisa que "vem de fábrica" mesmo, porque até os de bares e boates tinham o dispositivo. Só fica sujinho quem quer.

- Há, claro, pedintes nas ruas, mas só vi mulheres. Será que há algum dispositivo no Alcorão que proíbe homens de pedir dinheiro?

- Não adianta: kebab não desce, nem aqui na terra deles. Mas o resto da culinária turca é ótimo. Muito cordeiro, claro. Meus preferidos foram um prato de almôndegas turcas com molho de iogurte azedo e purê de berinjela e um de ravióli de cordeiro e figos secos com molho pesto.


No topo: Aya Sofya à noite. Acima: lâmpadas coloridas no Grande Bazar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Volta e devaneios

Meus dias aqui na Alemanha estão contados. Dia 09 de julho eu pico a mula. Como não tenho que voltar a trabalhar ainda, vou passar por Istambul e Londres -- bem, esses são os destinos escolhidos até o momento, com passagem comprada e tudo.

Originalmente, como disse a muitos de vocês aí no Brasil, o objetivo era ficar cerca de cinco meses. Só que, como turista, o tempo máximo de permanência é de três meses -- depois disso tenho que esperar mais seis meses para voltar. E, por conta dos acordos da União Europeia, em especial o que criou o Espaço Schengen, isso se aplica a toda essa área, o que dificulta muito as minhas opções de viagem por aqui. A Turquia, embora esteja tentando, ainda não entrou na UE. E a Inglaterra (como a Irlanda), embora sejam parte da UE, não integram o Espaço Schengen, o que permite a minha entrada nesses países mesmo após os três meses aqui (em tese, claro, porque a imigração inglesa é tão chata que eu nem sei se vão me deixar entrar). Outros países que não fazem parte da UE também aderiram a este acordo (como a Noruega e a Suíça) -- portanto, também são destinos excluídos.

É possível que a viagem não se prolongue muito mais, porque viajar cansa, ainda mais depois de tanto tempo fora. Aqui em Berlim eu tinha a minha casa, então tudo bem, mas ficar em albergues e hotéis por muito tempo não dá. Levei em consideração também que vou estar com uma mala gigantesca (na verdade duas, mas a outra é menor), com minha mudança toda. Por isso decidi limitar minha visita a Istambul e não rodar pela Turquia -- fica para a próxima.

Vocês devem ter notado que eu ainda não tenho data para voltar ao Brasil. Pois é, como eu sou muito enrolado, ainda não comprei a passagem de volta, até porque ainda não descartei outras pequenas paradas depois de Londres (Dublin seria uma delas). Mas prometo que aviso a todos vocês assim que souber, para que, quando eu chegar, todos me liguem para eu me sentir amado e querido (hehehehe).

Na verdade, refletindo a respeito, estou numa sensação dúbia quanto à minha volta. Claro que estou um pouco triste, afinal amo de paixão Berlim, é uma cidade com a qual definitivamente eu terei um vínculo para o resto da minha vida. Às vezes acho até que tenho um vínculo de outra vida com esta cidade. Mas, por outro lado, também estou com saudades de tudo e de todos aí.

No fim eu nem me esforcei muito para conseguir ficar mais tempo por aqui. Mandei um e-mail para o órgão de imigração de Berlim, dizendo ter interesse em fazer um curso agora em julho. Eles me responderam que eu deveria ter feito o pedido junto à embaixada no Brasil. Respondi contestando esta informação, já que, de acordo com o site da Embaixada Alemã em Brasília, desde de 1 de janeiro deste ano, os brasileiros também podem fazê-lo diretamente neste órgão de imigração aqui -- colei o link e tudo. Eles nem se deram ao trabalho de responder. E eu, que sou rabungento, acho que se eu estou aqui gastando o meu dinheiro em plena crise, mas eles não fazem muita questão da minha permanência, não sou eu que vou fazer. Claro que sei que há leis de imigração e de permanência no país e que, apesar do sistema capitalista em que vivemos, estar gastando dinheiro no país não é um dos critérios de análise. Porém, são assim que as coisas acabam funcionando na minha cabecinha.

Além disso, no fundo, eu já estou um pouco cansado. Claro que dois meses a mais não fariam muita diferença para mim -- fico surpreso como esses três meses passaram voando -- e eu certamente ficaria mais afiado no alemão, que realmente melhorou bastante desde que eu cheguei. Acho que é a expectativa do deadline chegando: como já está próximo, eu acabo ficando um pouco ansioso com a volta. Sonho com um churrasco feito pelo meu pai e um pão de queijo da minha mãe.

A maior parte dos brasileiros que eu conheci em Berlim já moram aqui há algum tempo, já estão acostumados e não cogitam muito voltar. Sempre digo que sou muito brasileiro e que não conseguiria me adaptar a outra cultura. Na verdade, acho que a gente se acostuma com tudo, bom ou ruim. Se precisasse, claro que eu me adaptaria, de alguma forma. Li alguns textos a respeito em blogs de brasileiros que moram fora. A maioria diz que gosta das novas pátrias e que, no geral, foram recebidos, mas que sempre serão estrangeiros ali. Creio que meu grande problema com morar fora é esse: não gosto muito dessa sensação quase permanente de estrangeiro.

Isso é um pouco complicado de explicar, mas acho que é compreensível para a maioria. Li em algum blog de que agora não me lembro sobre um norueguês que foi para o Brasil e se deslumbrou, achava tudo ótimo e dizia que moraria aí para sempre, se fosse possível. Quase um ano depois, ele quase só falava da Noruega, de como Oslo e os fiordes eram lindos etc. O texto concluía que ele nunca se sentiu tão norueguês como depois de um tempo fora.

É mais ou menos assim que me sinto agora. É fato que eu acho muito feio os brasileiros (e outros estrangeiros, claro) que vêm para cá e só conseguem andar com outros brasileiros, falam português a maior parte do tempo e reclamam de tudo. Ora, se você escolheu viver em outro país, um pouco de adaptação é o mínimo que você pode fazer. Isso não significa que você deixará de ser brasileiro ou abandonar definitivamente a sua cultura de origem. Há também o outro lado da moeda: aqueles que vêm e depois de poucos anos já falam português com um sotaque super carregado e mal devem se lembrar de que Brasília é a capital do Brasil. Isso também é muito feio para mim. De qualquer forma, eu entendo um pouco os dois grupos: o desejo de se integrar de um lado, de deixar de ser um estrangeiro, e aquele de estar em contato permanente com alguma coisa que lembre o Brasil. Feliz de quem consegue equilibrar esses dois impulsos sem muito esforço.

Desde o momento em que cheguei, ficou muito claro para mim que nesse período eu teria que lidar permanentemente com a sensação de ser visto como "o outro". E eu sempre encarei isso como uma experiência de vida ímpar que, no fundo, todos deveríamos ter. Porque em nossas vidas classe média no Brasil, fazemos parte de um círculo em que as coisas seguem uma lógica muito clara, o script é mais ou menos conhecido -- no fim, criamos uma estrutura que faz com que tudo orbite ao nosso redor. Quando aparece alguma coisa (ou alguém) que foge desse script, o olhar é de dentro para fora.

Claro que em um mundo globalizado, o estranhamento se dilui -- ainda mais porque vim para um país da Europa ocidental e não para a Ásia, por exemplo. Mas esse período aqui serviu também para ver que, apesar da globalização, ainda há muitas coisas diferentes por esse mundo, e é bom que assim seja, porque a diversidade é saudável e faz o mundo evoluir.

Enfim, ficar aqui por três meses me ajudou um pouco mais a entender as diferenças, o que foge um pouquinho da nossa vida padrão. Vocês, meus amigos, me conhecem, sabem que nunca fui uma pessoa intolerante e que sempre busquei ter a cabeça aberta. Ainda assim, nada como passar um pouco para o outro lado para entendê-lo melhor. É bom voltar ao conforto do meu círculo, mas espero que a experiência tenha me ajudado a ser ainda mais tolerante e aberto à enorme diversidade do nosso mundo. E me deu a certeza de que, sim, o sangue que corre nas minhas veias é brasileiro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Praha

Vou começar o texto sobre Praga talvez chocando: eu me decepcionei um pouco com a cidade. Acho que a questão é, realmente, a expectativa que a gente cria. Sempre ouvi todo mundo no Brasil dizendo que Praga é uma cidade linda, que é uma cidade fantástica, que eu tinha que conhecer. Realmente, a cidade é muito bonita, mas fiquei esperando um pouco mais. Mas vamos aos fatos e, talvez enquanto escrevo sobre minha visita à capital da República Tcheca, eu mude um pouco de ideia a respeito.


O trem que eu peguei em Nurembergue foi até uma cidadezinha alemã chamada Schwandorf, perto da fronteira com a República Tcheca. Lá eu precisei pegar outro comboio que iria, em tese, até Praga. Logo entendi porque andar de trem na Alemanha é caro: os trens alemães são realmente mais confortáveis. Sem falar na organização do sistema com um todo: no site da Deutsche Bahn, basta você colocar o local de partida e o de destino e ele lista as várias possibilidades existentes, com todas as mudanças de trem que você pode ter que fazer no caminho. Você sai de casa sabendo o horário, a plataforma em que cada trem partirá e, se houver feito uma reserva, pode descobrir até em que pedaço da plataforma o seu vagão vai parar. Não sei direito qual a origem do trem que eu peguei em Schwandorf, mas o certo é que o funcionário era tcheco. Tanto o inglês quanto o alemão dele eram limitados; mesmo assim, ele conseguiu me explicar que o trem pararia na verdade em Plzeň (ou Pilsen), a cidade da Bohemia famosa por sua cerveja. De lá eu teria que pegar outro trem até Praga. Como os trens estavam cheios (um prenúncio já da quantidade de turistas que eu ia encontrar em Praga) era aquela briga para conseguir um lugar para sentar. E creio que nem teria adiantado comprar primeira classe: acho que ela nem existia. Os trens tinham aquela estrutura de cabines, em que você é obrigado a viajar com um monte de gente que não conhece bem na sua frente. Sem contar que quando fecha a porta da cabine, fica um cheirinho não muito agradável de jaula de onça -- tem gente que ainda tem coragem de tirar o sapato! Descobri que prefiro mil vezes os trens com as poltronas uma ao lado da outra, ainda que sejam meio apertadas.


O trem foi numa lerdeza horrorosa, mas pelo menos fiquei olhando aquela paisagem da Boêmia, com lindas cidadezinhas antigas passando uma depois da outra. Depois de quase seis horas dentro de trem, finalmente consegui chegar a Praga. Gente, que estação de trem é aquela? Então essa é uma das estações internacionais de uma das cidades mais visitadas da Europa? Uma coisa velha, caindo aos pedaços, bagunçada. Ao ver aquilo, creio que já tive um mal prenúncio. A Alemanha deixa a gente mal acostumado mesmo: qualquer estaçãozinha de cidade do interior é mais bonita que aquilo. Troquei dinheiro (lá o euro ainda não chegou, eles ainda usam a coroa tcheca), mas como não consegui trocar as notas por moedas para pegar um metrô, resolvi apelar para o conforto de um táxi, isso até consegui pegar um na rua, já que não consegui achar um ponto de táxi demarcado na saída da estação.


O albergue (Miss Sophie's) era uma graça e a menina da recepção bem solícita. O quarto, apesar de cinco camas, era um verdadeiro apartamento, com um banheiro interno e até uma cozinha com fogão, geladeira e alguns utensílios. Fica a dica para quem está viajando em grupo de amigos: se vocês conseguirem fechar um apartamento desses, é como se estivessem em um apart-hotel, mas pagando preço de albergue. Só que logo quando cheguei conheci um brasileiro e um americano que já estavam no quarto e haviam sido furtados no dia anterior. Levaram câmeras, carteira com cartões, dinheiro. Bem, os rapazes foram meio ingênuos também ao deixarem essas coisas em local aberto. Havia gavetões embaixo de cada cama com um fecho para cadeado, mas eles deixaram as coisas lá sem trancar. Hoje em dia, isso não se faz nem em hotel cinco estrelas, vamos combinar.


O albergue só não ficava bem central, mas nada demais: uns dez minutos caminhando até o centro (em Staré Mĕsto). Para chegar até o castelo e Malá Strana já era um pouco mais longe. Mas bem ao lado havia uma estação de metrô (I.P.Pavlova), então tratei de providenciar bilhetes diários, vendidos comodamente na recepção do albergue. No primeiro dia, fui à pé mesmo para conhecer um pouco a cidade. Passei pela larga e movimentada avenida Wenceslas (Václavské nám) e achei um horror, cheio de restaurantes horrorosos e lugares vendendo lembranças de gosto duvidoso para turistas. Só é bonito o imponente Museu Nacional que fica no fim da avenida. Em Staré Mĕsto tratei de rumar para a praça da Antiga Prefeitura (Staromĕstské nám), onde logo se avistam as torres góticas da Igreja de Týn e o enorme monumento em homenagem ao reformista Jan Hus. Lindo, de fato. Lá também fica a torre da antiga prefeitura com seu relógio astronômico. Como eram 16h45, resolvi esperar para ver a famosa parada de almas sendo coletadas pela morte. Logo foi juntando uma muvuca na frente daquele negócio para ver a tal jeringonça. Quando batem as horas, abrem duas portinhas e ficam passando uma série de bonequinhos por elas, enquanto uma caveirinha do lado (a morte) toca uma sineta. É rapidinho, não dura nem um minuto. No final, "ahs" e "ohs" ecoam pela multidão, num misto de surpresa e desapontamento (na minha opinião).


Ainda caminhei um pouco por Staré Mĕsto, vi a linda Casa Municipal em estilo art nouveau e alguns outros prédios antigos, e depois rumei até a famosa Ponte Carlos, mas não tive coragem de cruzá-la naquele dia. Em primeiro lugar porque queria deixar para visitar Malá Strana no dia seguinte. Em segundo pela quantidade de gente passando por ali: é tanto turista, artistas de rua, pedintes, vendedores, que você até perde a vontade de passar. À noite eu saí para comer e dar uma volta para procurar algum dos bares recomendados nos guias que eu levei (Lonely Planet e Wallpaper). Eu até achei alguns dos lugares, mas as ruas ficam bizarramente vazias à noite. Quase fiquei com medo de andar por elas. A exceção é a avenida Wenceslas, que fica ainda mais pavorosa depois que o sol se põe, com os imigrantes te chamando para entrar nos cabarés mais sem-vergonha da noite de Praga.


O segundo dia eu aproveitei para visitar o castelo de Praga. Na verdade, o "castelo" é um complexo de construções e edifícios, e não apenas uma única estrutura. Vale muito a pena visitar a Catedral de São Vitus. Não é cobrada entrada e ela é linda por dentro, com vitrais impressionantes -- há um inclusive do Alfons Mucha, o famoso artista art nouveau de Praga. Lá dentro, contudo, vi uma cena lamentável. Em frente à escadinha que dá acesso ao túmulo do Rei Carlos IV -- o tal que construiu a ponte e a própria catedral -- havia uma corda vedando o acesso. Um papel dizia: "fechado por motivos técnicos". Acontece que um pequeno grupo de turistas estava sendo acompanhado por uma guia em espanhol, e como ela falava muito bem, eu estava ouvindo (filando) um pouco das explicações. De repente, quando eles chegaram na frente da escada que desce ao túmulo, ela falou: "ahora vamos a bajar para ver el túmulo del Rey Carlos IV", simplesmente tirou a cordinha e desceu com os espanhóis. Eu fiquei olhando aquilo, incrédulo, e ela apenas me lançou um olhar venenoso. Ou seja: o túmulo está fechado para a turistada, mas dependendo da visita guiada que você pagou, você pode ver. Não seria mais honesto avisar que só é possível visitar o túmulo se você contratou um guia credenciado pela igreja? Mas, numa cidade onde os turistas brotam do chão, esse tipo de coisa não devia me espantar, não é verdade?


Você pode andar pelas ruas de dentro do castelo sem pagar nada também, mas para visitar alguns outros edifícios, é necessário comprar um passe. Há o circuito pequeno e o circuito grande. Comprei o circuito pequeno porque me interessou visitar a Basílica de São Jorge, que tem uma linda fachada barroca em vermelho. Por dentro, que decepção: não há praticamente nada, a não ser alguns restos bem apagados de pinturas murais que um dia ornaram a igreja. O outro lugar incluído no "pacote" era o antigo Palácio Real; da mesma forma, tirando alguns quadros de reis e nobres, não há nada de especial. Dinheiro jogado fora.


Gostei mais do Santuário de Nossa Senhora de Loreta, que fica fora do castelo, mas não muito longe dele. A fachada barroca me lembrou muito as igrejas mineiras; dentro, há uma linda réplica do que seria a casa de Sant'Ana, a mãe de Maria. A entrada no Santuário é paga.


Finalmente me dirigi para a Ponte Carlos, enfrentei as hordas de turistas (entre as quais me incluo, claro) e tirei algumas fotos. Depois de cruzá-la, dei uma olhada na Pařižská třida (imagino que signifique Avenida Paris ou algo do gênero), uma rua similar à Oscar Freire, com as butiques de praxe, mas com alguns prédios em estilo art nouveau bem bonitos também. Ao entardecer, antes de encontrar um lugar para comer, seguindo a recomendação de um amigo, voltei à Ponte Carlos e tirei umas fotos com o pôr do sol que ficam realmente interessantes. A ponte em si também fica mais vazia (mas só um pouco, ainda tinha muita gente), o que deixa a travessia menos estressante.


Terceiro dia com chuva, me enfiei em museus. Primeiro visitei o Museu Franz Kafka, que foi a grande surpresa para mim. O acervo não é lá essas coisas, mas é organizado de forma muito interessante. Na parte de cima recria-se a história do escritor, inclusive o caminho que ele percorria em Praga para ir à escola todo dia. Ele dizia, aliás, que Praga é "uma mãe com dentes afiados". Também conta os vários conflitos que ele teve com o pai e que foram apresentados no livro "Cartas ao Pai". Achei interessante a parte dedicada às quatro mulheres que ele amou, um aspecto da vida dele que eu não conhecia. Na parte de baixo, há ambientes bem interessantes criados com inspiração em seus livros. Em um corredor de arquivos intermináveis e telefones antigos tocando sem parar, cria-se a sensação sufocante da burocracia que o escritor tantas vezes descreveu -- me lembro de pelo menos uma passagem no livro O Processo. Também há um filme em uma sala branca reproduzindo a interminável jornada descrita n'O Castelo, e uma reprodução do instrumento de tortura descrito n'A Colônia Penal. Essas partes são um pouco angustiantes, mas perfeitamente de acordo com a atmosfera dos livros. Saí de lá bem impressionado.


No mesmo dia visitei o museu do Alfons Mucha, o artista tcheco que ficou muito conhecido por seus cartazes em estilo art nouveau. Os cartazes são realmente lindos, mas o acervo do museu é um pouco limitado. Mesmo assim comprei um monte de coisas na lojinha. Uma outra dica: os dois museus (do Franz Kafka e do Alfons Mucha) são administrados conjuntamente (embora um fique em Malá Strana e o outro em Nové Mĕsto, na mesma rua da Embaixada do Brasil). Eles vendem o ingresso para o outro museu pela metade do preço, então se você planeja visitar ambos, como eu fiz, vale à pena comprar os dois no mesmo lugar. Eu não sabia desse detalhe, e deixei para comprar o ingresso do museu do Mucha in loco, achando que custaria o mesmo preço que eu havia visto no painel do museu do Kafka. Acabei pagando o valor inteiro nos dois. Nada como um turista bem informado, não é mesmo, minha gente?


No último dia, fui para Josefov, a área ao norte do Staré Mĕsto que era o bairro judeu antigamente. Hoje é uma área bem mais chique, com restaurantes moderninhos, lojas (a tal Pařižská třida). Engraçado, mas almocei em um restaurante lá onde pela primeira vez me senti no meio de um povo local interessante, distante da multidão de turistas (talvez porque fosse domingo e eles não estivessem trabalhando). Se eu achar o cartão no meio da minhas coisas coloco o nome e endereço aqui. Mas a ilusão durou pouco. Indo rumo ao cemitério judaico, a muvuca voltou a se formar. Há também duas sinagogas na área para se visitar, mas eu simplesmente não tinha mais saco para enfrentar filas, gente saindo pelo ladrão... até tentei comprar o tíquete para visitar o cemitério, mas estava tão difícil, o guichê era tão longe e contramão que eu desisti. Limitei-me a tirar uma foto das tumbas todas empilhadinhas por um buraco no muro, e dei por visto. Ainda voltei a Hradčani (o bairro onde fica o castelo) para visitar a Galeria Nacional. A fachada do prédio é incrível, com pedras entalhadas, mas achei o acervo clássico demais para o meu gosto. Na descida, em Malá Strana, aproveitei para visitar a Igreja de São Nicolau (há duas em Praga, uma outra em Staré Město) que não havia conseguido ver no dia em que fui ao castelo.


Praga é sim uma cidade bonita -- as fotos abaixo não deixarão dúvidas. Relendo meu texto, talvez transpareça que um dos motivos para minha decepção seja a quantidade insuportável de turistas nas ruas. Esse é um dos fatores, com certeza, mas, afinal, não posso reclamar apenas disso, se eu também estou ali fazendo turismo -- seria muita hipocrisia. Ademais, Paris também é uma cidade inundada de turistas, e nem por isso eu deixei de gostar de lá. Pode ser que eu tenha esperado chegar e encontrar uma cidadezinha toda bonitinha e arrumada, como as do interior da Alemanha, mas Praga não é assim. Talvez um pequeno pedaço da cidade seja, mas Praga é grande, tem trânsito e lugares feios como qualquer metrópole. Talvez ainda haja muitos resquícios dos anos de comunismo, e falta muito investimento em infraestrutura, como eu observei a respeito dos trens e das estações. Quem sabe com a entrada na União Europeia os investimentos comecem a entrar mais rápido.


Talvez tenha contribuído para o meu desgosto com Praga o tratamento pouco cordial que eu recebi dos locais. OK, na maioria dos restaurantes até que o tratamento foi gentil, nada demais, mas se comparado com o que a gente recebe, por exemplo, em Nova Iorque, até que foram simpáticos. Dois garçons até me perguntaram de onde eu era. Mas no geral -- e eu incluo locais turísticos -- achei o pessoal meio grosseiro. Eu até entendo que seja cansativo para eles lidarem com aquela quantidade de turistas todos os dias. Mas pelo menos quem trabalha -- e ganha dinheiro -- com turismo tem que ter um pouco de paciência, ou é melhor procurar outro trabalho. Como a mulher no Santuário de Nossa Senhora da Loreta, que gritou com um senhor francês bem velhinho, que estava espiando uma janela: "this way!", bem alto mesmo. Levei um susto na hora, e o senhor, que também não falava inglês muito bem, ainda tentou argumentar, perguntando se ele não podia simplesmente olhar as coisas do lugar -- afinal, ele tinha pago para entrar. Não vi nada de anormal no comportamento do senhor que justificasse aquele tratamento rude.


Pensei também na questão da língua. O tcheco é muito difícil e, por mais que eu tenha tentado, só consegui aprender duas palavras meio óbvias: pardon (para quando você esbarra em alguém) e pivo (cerveja). Mas em Budapeste eu também não aprendi quase nada do húngaro e fui, em geral, muito bem recebido. O mesmo aconteceu na minha recente viagem a Copenhagem -- aliás, o choque entre o simpático e receptivo povo dinamarquês e os tchecos não poderia ser maior. A impressão geral que eu tive é que, em Praga, as pessoas ainda não se ligaram muito em aprender inglês. Tudo bem, não é obrigação deles aprender mesmo a língua imperialista -- de fato, mesmo com gente jovem, à noite, era difícil falar com os locais em inglês, e eu basicamente só conversei com turistas. Mas se eles trabalham em algo ligado ao turismo, ou em um serivço usado pelos turistas, já passou da hora de eles se esforçarem mais para dominar o inglês. Daí, quando a gente não entende direito o que eles querem falar, ou eles não entendem o que a gente está perguntando, eles começam a falar alto, ou mesmo gritar -- como se isso fosse facilitar a comunicação. Pode ser que, culturalmente, isso seja adequado para eles, mas alguém precisa avisar que gritar não é considerado educado para a maioria das pessoas.


Para encerrar, minha última aventura em Praga. Como de praxe, eu não comprei o bilhete de trem que me levaria a Viena com antecedência; apenas olhei os horários na internet. Acontece que, como o site da empresa tcheca de trens é horroroso e nem tudo está traduzido para o inglês, preferi olhar o horário pelo site da companhia austríaca. Só que constava que haveria um trem saindo da estação mais central e próxima de onde eu estava -- a mesma onde eu cheguei, aliás. Pois bem, me dirigi ao guichê que tinha escrito "international tickets". Você supõe que ali as pessoas entendam um pouco de inglês. A tia conseguiu me explicar que o trem para Viena saía da outra estação. De fato, eu até havia visto que havia esta outra possibilidade na internet, mas tentei argumentar que havia visto que havia um trem saindo dali. A tia começou a gritar "not here" e o nome da outra estação. Quando resolvi perguntar se era possível comprar, ainda assim, o bilhete para esse trem que saía da outra estação, ela começou a gritar que era para eu ir para a balcão de informações. Igual no Brasil quando eles mandam você de um lugar para outro quando você está tentando resolver algum problema.


Lá fui para o guichê de informações, que também tinha uma placa com um "international" em cima. Muito bem, a tia desse guichê me falou a mesma coisa: que o trem para Viena saía da outra estação. Olhei no relógio e vi que tinha ainda quase quarenta minutos, então até aceitei a ideia de ir para a outra estação, mas ainda assim resolvi fazer a mesma pergunta: "ok, but can I buy the ticket here, so I don't need to rush or queue another time when I get in the other station?" A outra tia também só pôde gritar comigo: "not here, this is information, not sell!" Eu custei a acreditar, mas como estava com muita paciência, prossegui: "I don't mean here with YOU, but at this station." A tia só gritava: "I don't sell, go to the sell place!" Ou seja: ela estava me mandando voltar para a primeira tia que gritava. Depois disso, deixei para lá: pedi para ela escrever o nome da outra estação (Praha-Holešovice, onde eu estava era a Praha-hlávní nádraží, fácil, não?). Corri para ver se achava um táxi, mas, como disse, não há ponto na frente da estação. A sorte é que o metrô -- uma das coisas mais civilizadas da cidade -- ligava as duas estações. Graças a Deus deu tempo de chegar e comprar o bilhete para Viena. O próximo trem só dali a duas horas e meia, mas depois dos últimos acontecimentos, eu não queria ficar nem mais um minuto em Praga. Não pude deixar de suspirar aliviado quando o trem finalmente partiu.


Dicas:


1. Minha melhor experiência à noite em Praga foi um show de jazz recomendado pelo albergue, e que eu fui com dois canadenses que estavam no meu quarto. Chama-se Agharta (Železná 16, Praha 1). Fica meio escondido, mas achamos com o mapa. Apesar de recomendado no mapa do albergue, havia muitos tchecos entre o público. A jam session (com piano, contrabaixo e bateria) foi excelente. Convém chegar cedo para pegar mesa.


2. Praga é famosa pelas cervejas, mas a Pilsner Urquell é onipresente, e eu achei ela bem normal. Das mais conhecidas, gostei da Budvar (seria a inspiração da americana Budweiser?) -- tem gostinho de quero mais! No show de jazz, bebemos uma cerveja preta que parecia café batizado, mas muito gostosa, pena que não tenha anotado o nome. Numa loja que vendia várias marcas, comprei duas de uma tal Černá hora, mas confesso que escolhi mais pelas garrafas, para minha coleção: uma Granát e outra Moravské Sklepní (o que deve indicar que ela é feita na Morávia, não na Bohemia). Essa última eu achei bem gostosa.


3. Praga é uma cidade bem compacta, mas se o cansaço bater, ou você quiser visitar alguma coisa mais longe, não hesite em andar de metrô, que é super civilizado. A linha A (verde), aliás, tem estações bem bonitas, revestidas de placas metálicas coloridas, que valem um trecho só pela visita (fotos abaixo). Mas nem pense em andar sem bilhete: em apenas quatro dias eu passei por dois controles!


4. À noite o metrô não funciona, então acabei apelando para táxi nos dias em que saí. Como não havia lido antes a respeito da (má) fama dos táxis locais, fui roubado descaradamente mesmo. Mesmo com taxímetro, os preços deram bem mais do que o táxi que me levou para a estação de trem na minha partida, e que eu pedi para o pessoal do albergue chamar. O Lonely Planet recomenda ligar, mas nem sempre há essa possibilidade à noite, principalmente quando você está de férias. Eles também dão a dica de pedir um recibo, assim o motorista pode ficar constrangido de cobrar preços absurdos.


5. As comidas da culinária local que eu provei eram bem gostosas, mas em geral não é barato comer em Praga -- achei a cidade no geral bem cara, para falar a verdade, talvez esteja mal acostumado com Berlim. Vá preparado para gastar um pouco com isso. Há, claro, aqueles quiosques vendendo os podrões de sempre: pães com salsicha e com hambúrguer, com muito repolho na versão local (muita coragem para seu intestino). Na horrorosa avenida Wenceslas tem vários. Eu comi um no último dia e até que não estava ruim. E não, não tive nenhum desarranjo depois.


A tal avenida Wenceslas, xexelenta, mas o museu ao fundo é imponente


As famosas torres góticas da Igreja de Týn e, na frente, a grande escultura em homagem ao reformador Jan Hus


Eu e o tal relógio astronômico na torre da antiga prefeitura


Linda fachada art nouveau da Casa Municipal



O rio e o castelo lá em cima

A Ponte Carlos, ainda de longe


Entrada do "castelo", com os típicos guardas


Catedral de São Vitus, a atração mais bonita do "castelo"


Lindo vitral feito pelo Mucha para a Catedral



Catedral vista do lado de fora, com mosaicos em sua fachada


A fachada barroca Basílica de São Jorge, em vermelho

Lá de cima se tem lindas vistas da cidade (vocês já viram que eu adoro tirar foto de telhado...). No meio dá para ver a Ponte Carlos

A fachada com pedras entalhadas da Galeria Nacional

Fachada do Santuário de Nossa Senhora de Loreta -- não lembra igrejas barrocas de Minas?


Dentro do Santuário. Não é permitido tirar fotos, mas depois que da grosseria com o senhor francês, fiz questão de tirar escondido

Finalmente, a Ponte Carlos. Uma das várias estátuas que a ornamentam

A ponte e a turistada. A maioria das estátuas está bem empretejada, mas eles estão fazendo uma recuperação da ponte, por isso esses alambrados aí, contribuindo para tirar o charme todo dela. Mas a coitada está realmente precisando de um trato

Da ponte, o rio e o castelo

Eu também fui um dos milhares de turistas que visitaram a ponte neste dia! Atrás, uma das torres que dá acesso à ponte (há uma de cada lado)


Na saída da ponte, do lado de Staré Mĕsto, há essa estátua do Rei Carlos IV e uma linda igrejinha barroca

A mesma estátua do Rei Carlos IV, agora com o crepúsculo

Outra estátua da ponte e o castelo ao fundo, sob o céu do crepúsculo

Uma das estações da Linha A, com suas placas metálicas

Havia essa escultura bizarra de dois homens mijando na entrada do Museu Franz Kafka


Praga não é só arquitetura antiga. Esse prédio em Nové Mĕsto foi projetado pelo Frank Gehry, o mesmo do Guggenheim de Bilbao e ganhou o carinhoso apelido de "Fred and Ginger"

A Igreja Emauzy, também em Nové Mĕsto, teve suas torres destruídas durante um bombardeio da Segunda Guerra, e as substituíram por essas modernas

Entrada do Cemitério Judaico. Consegui bater uma foto num momento com "poucos" turistas na frente


Pela fresta deu para ver o monte de túmulos empilhados

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nürnberg

Agora Nurembergue.

Uma das inúmeras igrejas dentro do centro histórico.

O centro histórico foi reconstruído inclusive com seus muros e torres, como essa da foto. Há várias outras ao longo do perímetro do centro

Praça do mercado, com a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) ao fundo e a gótica (e dourada) Schöner Brunnen

Frauenkirche


Eu e a Schöner Brunnen (fonte bonita)

Parte do Kaiserburg (Castelo Imperial), no alto de um morro. Os telhados com vários níveis de águas-furtadas (aquelas janelinhas) são típicos de Nurembergue

No alto do castelo havia várias dessas lindas casinhas

Torre do Kaiserburg

Vista da cidade a partir do Kaiserburg

Dezenas de águas-furtadas no telhado de um dos prédios do castelo

Eu, a casinha, a torre, a ponte, o rio

Torre da Sebalduskirche; em primeiro plano, a estátua em homenagem a Albrecht Dürer, que morou em Nurembergue

Entrada da "Avenida dos Direitos Humanos", onde vinte e nove pilares e um carvalho reproduzem os trinta artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Estão escritos em alemão e em vários outros idiomas usados por pessoas que já tiveram aquele direito violado. Há um pilar em português, sim.

Lorenzkirche (Igreja de São Lourenço)

Em Nurembergue também há as casas com aquela típica estrutura em madeira que eu havia visto em Weimar


Weißer Turm (Torre Branca)