Decidido a comprovar o que eu havia ouvido a respeito do Primeiro de Maio aqui em Berlim, saí de casa de bicicleta por volta das 14h00. Resolvi passar primeiro logo naquela área de Friedrichshain onde eu tinha visto um monte de punks e de que eu falei aqui outro dia. Nada, tudo muito tranquilo. Aproveitei para comer uma coisinha em um dos restaurantes do local.
Depois cruzei o rio e fui até Kreuzberg, bairro com grande população turca de Berlim. Próximo à estação de metrô Görlitzer Bahnhof, começou a muvuca de gente. Sair de bicicleta aqui em Berlim tem um grande inconveniente: às vezes simplesmente não há onde prendê-la. Ainda mais num local assim com grande concentração de gente. Depois de rodar um pouquinho, consegui deixá-la junto a uma placa de estacionamento.
Pois ao contrário do que haviam me dito, não vi nenhuma grande manifestação, nem sangue correndo pelas canaletas. Nada disso. Aliás, o público estava bem misturado, desde pais passeando com os filhos, passando por jovens hipsters e punks, até senhoras e senhores de mais idade.
A programação também estava bem variada. Eles fecharam algumas ruas do bairro (principalmente um trecho da Oranienstraße) e montaram vários palcos. Em alguns eram aqueles heavy metals horrorosos com o cara imitando a voz do capeta. Nesses o público era basicamente de punks mesmo (aliás, como tem punk nesta cidade, ainda vou escrever sobre isso). Em outros havia shows de música variada (e mais audível). Tinha palco para teatro infantil também. Na frente de alguns bares foram montadas pickups para apresentações de DJs -- em geral, nesses locais, o público era o mais animado.
Claro que, sendo Kreuzberg um bairro com grande concentração de turcos, não podia faltar um monte de gente vendendo aquelas podreiras alimentícias deliciosas, desde as típicas bratwurst e currywurst (tipos de salsicha que são a cara de Berlim) até os infames doner kebab e falafel. Também muita gente vendendo cerveja, caipirinhas e outros gorós. Enfim, se houvesse uma praia logo ali, duas ruas na frente, eu quase teria me sentido na Visconde de Pirajá durante o carnaval. Vai ver que quem me disse que o 1. de maio em Berlim era dramático não está acostumado a estas muvucas de rua. Para nós, brasileiros, not a big deal.
Querem ter uma ideia de como estavam as ruas, quem apareceu por lá? Vem comigo!

Casal über cool berlinense com florzinhas no cabelo.
Nas frentes dos bares e dos restaurantes a galera se sentava para bater um papo, tomar uma breja e olhar o movimento.
Olha aí, minha gente, tinha até sofá na rua! E o povo hipster bebendo cerveja, vinho branco, tudo ao mesmo tempo, e no gargalo. Uma finesse só.
Artistas na rua. Essas duas aí de cima fizeram belly dance até com Prodigy.
Galera sentada no gramado de uma pracinha. Muita, muita gente. E muita, muita cerveja.
Até vi alguns protestos, mas num clima mais de gozação, parecido com o do carnaval no Brasil, como o do cartaz acima, que diz: "gripe suína nazi".
DJ mandando ver no tecno-house.
A muvuca na frente do bar onde o DJ aí de cima estava tocando. Todos sambando muito com a tecneira.
Mais gente...
A galera se sentou -- ou melhor, se dependurou -- nas janelas para ouvir a música e ver o movimento.
Como diria Elis, cabelo ao vento, gente jovem reunida.
Ao final, depois de beber sei lá quantas cervejas, cheguei em casa derrubado e a única coisa que consegui fazer foi dormir. E não era nem nove da noite. Só sei que me diverti muito com o "carnaval de rua" aqui de Berlim.
Vale uma nota: ao contrário do carnaval no Brasil, as pessoas não mijam nas ruas. Pelo menos eu não vi ninguém fazendo isso, nem senti aquele cheiro tão característico do carnaval do Rio. Mas como assim, Bial, e essa cerveja toda, vai para onde? A maioria desses bares onde há concentração de gente deixa o povo usar os banheiros normalmente. E nem precisa sentar ou consumir algo. Afinal, eles também estão faturando com esse movimento todo, não? Parece óbvio, mas talvez no Brasil não seja.



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