segunda-feira, 11 de maio de 2009

La Traviata



Depois do breve intervalo "momento saúde", voltemos
a assuntos mais amenos.

Sexta-feira fui com um amigo italiano que conheci aqui assistir à opera "La Traviata" na Deutsche Oper. Como ele estuda música -- vai começar logo o doutorado em piano na Technische Universität -- já o tinha intimado várias vezes para um programa de música clássica. Berlim pode ser um paraíso para amantes da noite e de música eletrônica, mas é bom lembrar de sua vasta tradição também na música clássica. E a ópera é uma ótima forma de conhecê-la e aproveitá-la, já que une música e teatro, apresentando a música de uma forma mais "lúdica".

A Deutsche Oper é uma das três de Berlim. Isso mesmo, Berlim tem três casas de ópera. Se bobear há até mais por aí, mas essas três são as mais conhecidas e frequentadas. Parte dessa "multiplicação" se dá por conta da antiga separação da cidade em duas e acontece também em outros espaços culturais (possivelmente abordarei o assunto quando falar dos museus). Com a reunificação, a Staats Oper, na majestosa Unter den Linden, reganhou o status de casa de ópera mais tradicional, mais grandiosa de Berlim. Um pouco mais adiante na Unter den Linden fica a Komische Oper, que costuma ter uma abordagem mais "moderna" da ópera -- a montagem da ópera Arminda, por exemplo, está dando um bafafá por aqui pela quantidade de gente pelada no palco.

A Deutsche Oper era a ópera de Berlim ocidental. Por isso, tem uma fachada contemporânea em concreto e, claro, recebeu um tratamento acústico muito cuidadoso. Fica em Charlottenburg, bairro que era o coração da parte ocidental e, hoje, um pouco associada com gente tão rica como tradicional, uma Berlim que pouco tem a ver com a criatividade e agitação atuais da parte oriental. Por isso, não era de se espantar a quantidade de gente elegante e bem-vestida na plateia. Ainda bem que eu caprichei um pouco mais no figurino.

Como não havíamos comprado ingressos, chegamos uma hora mais cedo para tentar o que eles chamam de "Abendkasse", ou bilheteria noturna. Não foi difícil encontrar lugar, mas achei os preços bem salgados. Nosso lugar era bom, mas era o segundo mais barato dentre os oferecidos -- e ainda assim me custou mais de € 50,00. Os ingressos mais caros, lá no gogó do palco, custam mais de € 100,00. Meu amigo tem carteira da universidade e, por isso, pagou apenas € 10,00 (fica a dica para quem ainda é estudante). O coitado ainda se ofereceu para que dividíssemos o valor dos ingressos por igual, mas é claro que eu declinei da oferta -- não é culpa dele se ele segue com os estudos e eu não. Pedi para ele oferecer uma taça de champagne no intervalo.

Como não é um programa que pretenda fazer com frequência, encarei o preço como um investimento na minha cultura. E não me arrependi. O lugar por dentro é de encher os olhos. A montagem também estava muito bem cuidada e a cenografia bem interessante. Não sou versado em música, mas achei a soprano que fazia a Violetta muito boa, o que meu amigo confirmou -- e olha que ela era substituta, já que a cantora principal estava doente. Os outros cantores também estavam bem afinados. A ópera era cantada em italiano mesmo, com legendas projetadas no alto em alemão, como é de costume. Juntando as duas línguas, até que deu para entender bem o texto.

De qualquer forma, o enredo foi baseado no livro "A Dama das Camélias", do escritor Alexandre Dumas Filho, que todo mundo conhece mais ou menos. No Brasil foi "adaptada" pelo José de Alencar em "Lucíola". A história, claro, é carregada de drama e tragédia, e a gente sabe que acaba mal, mas eu sempre choro um pouquinho no final.




No alto: imagem da montagem de "La Traviata" a que eu assisti; embaixo, a Deutsche Oper por fora e por dentro.

Um comentário:

  1. Amigo Italiano? Aham = ) Pelo visto vc. tem aproveitado do que há de melhor em Berlim.

    Bises

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