quinta-feira, 23 de abril de 2009

Schwarzfahren


Aqui em Berlim n
ão há catracas nas entradas do metrô, nem cobradores em ônibus. O sistema todo funciona baseado na responsabilidade dos usuários e no auto-atendimento -- civilidade é isso aí. Assim, quando você chega numa estação de metrô, há maquinas em que você pode comprar um bilhete (algumas aceitam só moedas, outras notas e várias até cartão). Mas não basta só comprar; antes de embarcar, você tem que introduzir o bilhete numa outra maquininha, menor, e ela carimba o local onde você está e o horário. Isso porque, como não há catracas, o bilhete tem uma validade. Se não for algum cartão semanal ou mensal, ele vale por 120 minutos. Nessas duas horas, você pode usá-lo em qualquer meio de transporte público: no metrô (U-Bahn e S-Bahn), nos bondes e nos ônibus. Isso serve também para que as pessoas possam fazer conexões. Da mesma forma, isso já me permitiu, por exemplo, ir até um lugar resolver uma coisa e voltar, tudo com o mesmo bilhete -- dentro das duas horas, claro. Por conta disso, sempre deixo para carimbá-lo no exato momento em que o trem está entrando na estação, para que só então as duas horas comecem a ser contadas.

Claro que, em algum momento, eles soltam fiscais dentro dos trens -- totalmente vestidos à paisana -- que passam cobrando o bilhete das pessoas. Viajar sem um bilhete válido é chamado aqui de Schwarzfahren, e se você for pego nesta situação, tem que pagar uma multa na hora, que, eu acho, está em mais de € 40,00. Sem contar aquela humilhaçãozinha básica de toda a alemoada te olhando torto.

Da primeira vez que vim à Alemanha, morria de medo de ser pego em Schwarzfahren. Claro que, nessas mudanças de uma cidade para outra, acabava confundindo e andando de forma irregular -- na minha primeira viagem de metrô em Berlim, por exemplo, eu simplesmente não validei o bilhete na maquininha antes de embarcar, porque não sabia. Depois de ver as pessoas fazendo aquilo e de ler no guia a respeito, eu comecei a fazê-lo. Mesmo assim, em um mês de viagem eu passei apenas por um controle, em Colônia.

Dessa vez, tampouco é meu objetivo ficar usando o sistema público de transporte sem pagar. Ocorre que, outro dia, me vi num dilema. Cheguei na estação sem moedas para pagar o bilhete (atualmente, custa € 2,10). Tentei pagar com uma nota de € 20,00, e não funcionou. Tentei pagar com um cartão, e a máquina também não aceitou. Nesse momento, o metrô entrou na estação. Era de noite, de forma que os trens demoram mais para passar. Hesitei um pouco, mas entrei. Depois, tive que fazer um cambiamento, mas como desceria uma estação depois, resolvi continuar no Schwarzfahren -- afinal, já tinha ido até ali, uma estação a mais não ia fazer a diferença. Claro que fiquei super tenso, olhando para qualquer pessoa imaginando que ela poderia ser um fiscal. Não sei se à noite eles relaxam um pouco o controle, mas ninguém me abordou. E eu cheguei ao meu destino aliviado. Talvez goste de viver perigosamente.

O problema dessas situações é que, se funcionou uma vez, você acha que vai funcionar sempre. Hoje, fui ao médico e, como estava um tempo muito feio de manhã, resolvi ir de metrô -- embora fossem duas estações de metrô apenas da minha casa. Esperei mais de duas horas pela consulta e, na volta, fiquei tentado a fazer o percurso de volta sem comprar um novo bilhete. A plaquinha informava que em um minuto o metrô chegaria. Como há o Kurzstreckenticket, um bilhete de € 1,30 para viagens curtas, de até três estações, resolvi comprá-lo. Logo o metrô chegou e eu embarquei. Não é que apareceu um tiozinho cobrando o bilhete do povo? Aliviado, mostrei meu bilhete devidamente validado para ele. E decidi não abusar do Schwarzfahren mais. Talvez meu anjo da guarda seja muito forte, mas deve ter seus limites.

Acima: foto de dois bilhetes do metrô de Berlim. Na parte de cima deles, o carimbo com a data, a hora e o local da validação.

Um comentário:

  1. eu andei sem bilhete na Holanda!!!!!! e na itália quase fui pega!!!! um horror! mas é uma roleta russa gostosa de fazer... rerererere! bjs

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