Saí de casa meia-noite e pouco, pois não queria pegar muita fila. Em vão: quando cheguei na porta, ela já estava bem grandinha. Estava eu bem agasalhado, não havia problema em esperar; só que a fila anda numa lerdeza só, e eu esperei bem uns 40 minutos até chegar na porta.
Quando dei de cara com o leão de chácara, ele me perguntou: "quantos?". Respondi: "eu sozinho". Daí o cara disse: "hoje você não vai entrar". Minha ficha demorou a cair, até porque ele falou em alemão e eu não tinha entendido direito. Daí o outro segurança me olha e faz um gesto com a mão, indicando a saída.
Acabei me encontrando depois em um bar com uns italianos que conheci aqui na primeira semana. Um deles, que já está há um tempo em Berlim, me disse que é meio complicado mesmo entrar lá: em geral eles preferem grupos de dois e de três, e se eles perguntarem quem é o DJ que está tocando naquela noite, é bom saber a resposta (essa eu até sabia, e teria respondido com gosto se ele tivesse me perguntado). Contudo, eu fiquei observando as pessoas que estavam logo atrás de mim: havia dois caras juntos e, logo depois, um cara que também aparentava estar sozinho -- ao menos ele passou o tempo todo da fila com headphones nos ouvidos e não conversou com ninguém. E os três entraram.
Sei que isso acontece em muitos lugares, mas nunca tinha passado comigo -- nem em São Paulo, onde uma vez tive que passar pelo olhar clínico da Marcelona para entrar na finada Lov.e, que estava então no seu auge. Por isso, é inevitável se sentir nessas horas uma manga, ou uma carambola -- uma alegoria que costumo fazer quando digo que parece estar estampado na nossa testa l-a-t-i-n-o-a-m-e-r-i-c-a-n-o. Também não consigo entender muito a lógica dessas pessoas: alguém sozinho não costuma estar mais aberto para conhecer gente? Ou eles preferem que todos fiquem em seus grupinhos fechados mesmo?
Claro que não desisti de tentar conhecer o lugar: na véspera do Dia do Trabalho, aliás, tocará lá a Ellen Allien, uma ótima DJ alemã (viu, essa eu também sei a resposta). Mas é claro que fica um certo despeito, uma má-vontade de voltar por agora. De qualquer forma, terei que pensar em chamar alguém para ir comigo -- e minha opção de conhecidos aqui em Berlim ainda é bem restrita.
Afinal, não pude deixar de sentir também, depois de duas semanas de deslumbramento, que Berlim, a cidade über cosmopolita e internacional, também pode ter seu lado fechado e seletivo. Saudades do Brasil e das minhas amigas mangas e carambolas.
Pô querido, que chato isso... mas às vezes rola uma door policy mesmo. Eu no seu lugar teria dito que vim do Brasil só pra ver o Sven Vath tocar. Ao contrário do que vc pensa, ser brazuca pega superbem, temos uma ótima imagem, nesse caso não acho que foi xenofobia, mas sim aquela história de clube HT de peneirar homem e manter um certo equilíbrio.
ResponderExcluirQue bom que agora vc é um berliner (onde vc tá morando, BTW?) e pode voltar outro dia. Mas vá a outros clubes também... Berghain, Tresor, Weekend, Dice...
Queria estar aí só p comer aquele rango vietnamita tudibão no Mitte, e depois me jogar no Lab... hihihi
Amigo, que coisa! Se estivesse com vc, teria incorporado a carambola totale! Saudades!
ResponderExcluirhehehe
ResponderExcluirAcontece... na primeira vez que fui ao Turnmills tive de responder a um interrogatório. Mas, depois recebi até um sorriso e welcome! ;-)