quarta-feira, 15 de abril de 2009

Alemães

Muita gente comentou, depois do meu primeiro e-mail, a gentileza que a menina alemã fez, deixando um pouco de comida e me emprestando uma bicicleta. Alguns chegaram a insinuar que talvez ela quisesse favores sexuais depois (hehehehe). Anyway, talvez seja um pouco de estereótipo que todos nós temos, mas acho que todos nós pensamos em alemães como pessoas duras, frias, secas.

Pois eu não poderia ter tido melhor acolhida quando cheguei. OK, tive que pagar um mega excesso de bagagem no voo entre Frankfurt e Berlim, mas vamos deixar isso para lá. Quando cheguei na portaria aqui do prédio, toquei o interfone do apartamento da Julia (assim se chama minha hostess) e não havia ninguém. OK, ela disse que tinha se programado para estar aqui às 18h30, pois ela achou que eu ia demorar um pouco no aeroporto e depois para chegar até aqui. Eram 18h15 ainda. Havia, contudo, um porteiro que veio me ajudar com as malas. Quando expliquei para ele que havia alugado um apartamento e que Julia tinha combinado de me receber, ele logo se propôs a ligar do próprio celular para ela (eu só adquiri meu número aqui ontem). Ele disse que não haveria problemas pois o plano dele permitia um número indefinido de ligações. Ainda disse que eu falava bem alemão.

A Julia também sempre foi muito atenciosa. O apartamento, além do que eu já falei, tem várias coisas para eu usar. Há roupa de cama, edredon e toalhas. Havia várias coisas meio usadas, que ela deixou para mim, como sabão, detergente, amaciante etc. A cozinha é toda equipada com panelas, pratos, copos, talhres. Há cooktop, forno e uma kettler (como se chama isso em português?) para eu aquecer água para chá e café. Há incensos e velas, e um número enorme de livros aqui, de culinária, arte, fotografia, moda etc. Quando precisei aprender a usar a máquina de lavar, bastou tocar a campainha dela e ela se dispôs a me ajudar. Também quando disse que queria ficar um mês a mais aqui, ela disse que arranjaria tudo direto com a mãe dela, e que eu não precisava entrar em contato com a Home-Company (a empresa por meio da qual eu aluguei esse apartamento, e que cobra uma taxa bem salgada de agenciamento). E, para terminar, essa internet que eu estou usando aqui já estava disponível: há um roteador instalado, e ela deixou um papel com o nome do usuário e a senha.

Claro que eu já conheci alemães grosseiros. Da outra vez em que aqui estive, cheguei a chorar de raiva um dia em que só topei com gente grossa. Eles estão mais presentes aqui que aí no Brasil? Não saberia dizer. O fato é que precisamos também saber reconhecer diferenças culturais. Aqui, você tem que seguir as regras. Se você não as segue, pode ser que você receba uma chamada. Se você estiver andando à pé pela faixa de bicicleta, por exemplo, pode ganhar um "Achtung!" bem alto ao pé do ouvido para aprender a ficar esperto. Funciona um pouco assim. Mas isso não quer dizer que não haja pessoas aqui doces e prestativas.

Tive a sorte de ter uma professora de alemão que é uma simpatia -- mas ela também mora no Brasil há uns trinta anos. A própria Julia me disse que uma de suas avós morou no Brasil até os 16 anos, em Porto Alegre, quando a família então voltou para a Alemanha -- será que isso tem a ver? Só sei que alemães há de vários tipos, e é bom lembrar que eles estão muito mais acostumados e viajar para destinos "exóticos" com culturas diferentes. Por isso, costumam ser muito mais tolerantes com as diferenças.

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