Pois eu não poderia ter tido melhor acolhida quando cheguei. OK, tive que pagar um mega excesso de bagagem no voo entre Frankfurt e Berlim, mas vamos deixar isso para lá. Quando cheguei na portaria aqui do prédio, toquei o interfone do apartamento da Julia (assim se chama minha hostess) e não havia ninguém. OK, ela disse que tinha se programado para estar aqui às 18h30, pois ela achou que eu ia demorar um pouco no aeroporto e depois para chegar até aqui. Eram 18h15 ainda. Havia, contudo, um porteiro que veio me ajudar com as malas. Quando expliquei para ele que havia alugado um apartamento e que Julia tinha combinado de me receber, ele logo se propôs a ligar do próprio celular para ela (eu só adquiri meu número aqui ontem). Ele disse que não haveria problemas pois o plano dele permitia um número indefinido de ligações. Ainda disse que eu falava bem alemão.
A Julia também sempre foi muito atenciosa. O apartamento, além do que eu já falei, tem várias coisas para eu usar. Há roupa de cama, edredon e toalhas. Havia várias coisas meio usadas, que ela deixou para mim, como sabão, detergente, amaciante etc. A cozinha é toda equipada com panelas, pratos, copos, talhres. Há cooktop, forno e uma kettler (como se chama isso em português?) para eu aquecer água para chá e café. Há incensos e velas, e um número enorme de livros aqui, de culinária, arte, fotografia, moda etc. Quando precisei aprender a usar a máquina de lavar, bastou tocar a campainha dela e ela se dispôs a me ajudar. Também quando disse que queria ficar um mês a mais aqui, ela disse que arranjaria tudo direto com a mãe dela, e que eu não precisava entrar em contato com a Home-Company (a empresa por meio da qual eu aluguei esse apartamento, e que cobra uma taxa bem salgada de agenciamento). E, para terminar, essa internet que eu estou usando aqui já estava disponível: há um roteador instalado, e ela deixou um papel com o nome do usuário e a senha.
Claro que eu já conheci alemães grosseiros. Da outra vez em que aqui estive, cheguei a chorar de raiva um dia em que só topei com gente grossa. Eles estão mais presentes aqui que aí no Brasil? Não saberia dizer. O fato é que precisamos também saber reconhecer diferenças culturais. Aqui, você tem que seguir as regras. Se você não as segue, pode ser que você receba uma chamada. Se você estiver andando à pé pela faixa de bicicleta, por exemplo, pode ganhar um "Achtung!" bem alto ao pé do ouvido para aprender a ficar esperto. Funciona um pouco assim. Mas isso não quer dizer que não haja pessoas aqui doces e prestativas.
Tive a sorte de ter uma professora de alemão que é uma simpatia -- mas ela também mora no Brasil há uns trinta anos. A própria Julia me disse que uma de suas avós morou no Brasil até os 16 anos, em Porto Alegre, quando a família então voltou para a Alemanha -- será que isso tem a ver? Só sei que alemães há de vários tipos, e é bom lembrar que eles estão muito mais acostumados e viajar para destinos "exóticos" com culturas diferentes. Por isso, costumam ser muito mais tolerantes com as diferenças.
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