sexta-feira, 17 de abril de 2009

Kino International

Hoje fui assistir a um filme no Kino International. Como era um filme italiano ("Il Divo"), achei que talvez eles pudessem usar legendas e, assim, eu poderia seguir mais facilmente o som original em italiano. Ledo engano. Aqui praticamente tudo é dublado -- vai entender por quê, se a Alemanha não deve ter praticamente mais ninguém analfabeto. Ou seja, da missa eu entendi a metade. Fala de Giulio Andreotti, um antigo Primeiro-Ministro italiano, que no começo dos anos 90 foi envolvido em escândalos de assassinatos políticos e da máfia. Apesar de ser um filme sobre política italiana, tem uma edição até interessante, com um trilha sonora moderna. Quase me acabei de rir quando há uma comemoração pela reeleição de Andreotti, com um sambão de escola de samba do Rio dentro de um daqueles palácios italianos, e a italianada toda caindo no samba. Vou tentar assistir depois com legendas em português, quando voltar ao Brasil; acho que vale à pena.

Mas eu fui mais pelo lugar onde estava passando o filme em si, o Kino International. Fica aqui pertinho de casa, dá para ir à pé, numa avenida chamada Karl-Marx-Alee. Esta rua, como o nome indica, foi criada na década de 50 para ser a "grande avenida" de Berlim Oriental. Vários blocos de apartamentos foram construídos, bem naquele estilo padronizado que me lembra um pouco Brasília. Com a reunificação ficou meio abandonada, com todas as atenções voltadas para a Unter den Linden, mas agora está sendo redescoberta aos poucos (bem aos poucos, pelo que vi), até porque é uma das avenidas que se esparramam da grandiosa Alexanderplatz.

Já o Kino International tem o que talvez a arquitetura modernista dos anos 60 tem de melhor a oferecer. É uma caixa de concreto com a fachada de vidro. Dentro, você se sente naqueles cinemas de antigamente, como não vemos mais -- infelizmente -- depois da era dos multiplex. O piso é de madeira, há lindos lustres pendendo do teto, e um bar servindo café, cerveja, vinho e outras coisinhas (o melhor é poder entrar bebendo dentro da sala). Quando a sessão começa, uma cortina dourada se abre. Talvez o Cine Brasília em seus tempos áureos fosse assim. Pouco me importou não ter entendido muito bem o filme. O cinema em si valeu à pena. Ahn, e nos finais de semana costuma haver festinhas por lá. Vou ver se apareço em alguma delas.

Tirei algumas fotos do Kino International para vocês terem uma idéia de como ele é.






Lindo, não?

2 comentários:

  1. Oi meu amigo, é muito lindo mesmo, parece que vc já está bem adaptado e feliz!!! Que ótimo, amo muito vc, beijim, Gegé.

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  2. Lembrei-me bem de quando estava na Aussie Land e decidi ir a uma peça de teatro belga que estava na cidade: Izabella´s room. Eu tinha pouco tempo na cidade e meu inglês ainda tava verdinho que dói. Resultado: fiquei só na beleza do teatro e dos atores, e ainda com a gostosa sensação de tomar um "drink" antes da entrada, como é de costume por lá. Entender a peça? Quase nadinha! Ao menos, você irá poder pegar o filme depois aqui. E qto a esses costumes bizarros de dublagem, confesso que vi "A ilha", dublada em francês, em Nice. Vai entender esse povo.

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