sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mapas e metrôs

Estou andando em Berlim sem mapa algum. Seja à pé, de metrô, de bicicleta, acho que nenhuma vez levei mapa. OK, talvez esteja confiando muito no meu senso de orientação, mas acho a cidade, em geral, fácil de se locomover. Há a torre de TV da Alexanderplatz que sempre me dá uma ideia da direção que devo tomar. Também conta o fato de eu já ter vindo aqui outra vez. E afinal, bem, eu não estou me aventurando (ainda) pelos bairros mais distantes do centro (o mais longe que eu fui até agora, acho, foi Prenzlauer Berg, que nem é assim tão longe). De bicicleta, então, fica muito mais fácil: errei o caminho, é só voltar, tentar pegar outro. E dessa forma vou descobrindo a cidade. Acho legal sair dessa maneira, sem muita preocupação, e ir descobrindo aos poucos que tal rua chega em tal lugar e assim a cidade vai ganhando lógica na minha cabeça.

Desisti definitivamente de comprar um cartão mensal para o sistema público de transporte (incluí metrô, ônibus e bonde). Fiz as contas e descobri que teria que usar o sistema de transporte mais de 36 vezes num mês para compensar, e acho difícil que recorra a ele tantas vezes assim. Até tem uma estação do U-Bahn bem aqui atrás do meu prédio (Jannowitzbrücke) mas das vezes em que usei o metrô mais passei raiva do que adiantei o tempo. Há várias linhas e estações em obras -- e eu ainda não sei exatamente quais são, o que obriga o passageiro a fazer baldeações e a trocar de linha mais vezes do que o normal. Um saco. Outro dia perdi uma sessão de cinema na Potzdamer Platz porque pensei que 20 minutos eram suficientes para chegar lá de metrô. Pois se seu tivesse ido de bicicleta, tinha chegado a tempo.

Além do mais, como eu disse, à pé ou de bicicleta a cidade ganha lógica para mim, os lugares se interligam. De metrô você entra num buraco, e quando sai por outro, está num lugar completamente diferente. Por que lugares você passou para chegar até ali? Se andar só de metrô, jamais saberá.

Pode ser que eu mude de opinião depois de umas semanas. Que eu encha o saco de andar de bicicleta. Afinal, há uma estação de metrô do lado da minha casa, e outra em frente ao Goethe Institut (Weinmeisterstraße), onde eu vou estudar -- e elas são até da mesma linha, o que significa que eu não preciso fazer baldeação alguma. Se for esse o caso, kein Problem: eu compro o bilhete mensal depois.

2 comentários:

  1. oi, ti! claro que o blog já está entre meus favoritos e vou ler todos os dias...
    adorei!
    bjs
    valéria

    ResponderExcluir
  2. Oi Tiago,

    Adorei saber do blog! Acho que vc. está certo quanto ao metrô, só vale a pena se o destino final for muito longe ou se estiver muito frio. É bom caminhar por entre as ruas, sentir a cidade, as pessoas, sem pressa.

    Besitos,

    Raquel

    ResponderExcluir