quinta-feira, 4 de junho de 2009

Weimar e Nurembergue

Escrevo rapidinho da estação de trem de Nurembergue, antes de entrar no trem para Praga.

Weimar é uma graça de cidade, bem compacta, dá para conhecer quase tudo à pé, sem pressa. Fiquei com preguiça de visitar muitos museus, e me limitei a conhecer a casa do Goethe, onde ele escreveu muitas de suas obras e morreu. Goethe, aliás, é quase onipresente, contando também com uma estátua, ao lado de Schiller, na frente do teatro da cidade.

Nesse teatro, aliás, reuniu-se a Assembleia que votou a primeira Constituição republicana da Alemanha -- daí o nome "República de Weimar". Esse é outro motivo pelo qual a cidade tem importância para os alemães, e que eu esqueci de mencionar no texto passado. E por que em Weimar? Além da simbologia do lugar, era impossível à Assembleia reunir-se tranquilamente em Berlim naquela época. Berlim tinha marchas e protestos praticamente todos os dias no começo da República. Infelizmente, apesar de a Constituição de Weimar ser considerada bem moderna para os padrões da época, não impediu a ascensãp do nazismo. Talvez por isso os alemães não guardem boas lembranças dela. Talvez por isso existam tão poucas referências a esse período por Weimar.

O resto do dia eu praticamente passei olhando os prédios antigos, curtindo aquele clima de cidade do interior. Até tentei ir ao Museu Bauhaus conferir a história e objetos daquele movimento tão interessante -- quem já esteve em casa em Brasília conhece as minhas cadeiras Wassily, desenhadas por Marcel Breuer na época da Bauhaus. Só que eles estavam comemorando precisamente os 90 anos da Bauhaus em Weimar, e por isso a coleção estava espalhada por vários museus da cidade. Fiquei com preguiça.

Mas a grande surpresa da viagem foi, realmente, Nurembergue. Depois da guerra a cidade ficou bem destruída, claro, mas eles fizeram questão de reconstruir tudo, tintim por tintim. Inclusive os muros da cidade, que envolvem uma área considerável. Daí que é impossível não ter a sensação, o tempo inteiro, de estar de volta à Idade Média, já que a cidade é cheia de torres imensas e cercada por um muro bem grande. Sem contar as várias igrejas com suas torres a decorar a paisagem do lugar, as ruas de pedra, as casas com as vigas de madeira aparentes, tão típicas dessa região da Alemanha. Acho que só faltou o esgoto a céu aberto e a peste para o clima medieval estar completo. Ahn, e as salsichas no pão daqui são, até agora, as mais gostosas que eu já comi em terras teutônicas. Pena mesmo eu ter ficado menos de um dia por aqui.

Bem, está na hora de pegar o trem. Comprei segunda classe e não havia possibilidade de reservar lugar. Espero que não me arrependa de ter economizado vinte euros (para o
upgrade para a primeira classe) e não tenha que viajar de pé.

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